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Análise: Disparada do dólar é próxima dor de cabeça para economia global

O reinado do dólar provoca nova dor de cabeça para as economias atingidas pelo vírus em todo o mundo. Os mercados emergentes, como o Brasil, são especialmente vulneráveis, pois tentam lidar com o colapso das moedas e queda da demanda.
17/03/2020

Investidores fogem de mercados emergentes em números recordes e buscam refúgio no dólar: os dois cortes de emergência da taxa de juros neste mês anunciados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não conseguiram diminuir a demanda pela moeda norte-americana.

Como o dólar está cada vez mais integrado à economia mundial, a valorização da moeda é um estresse adicional para empresas e governos, que se preparam para custos crescentes das dívidas em dólares.

O dilema para bancos centrais de mercados emergentes é que, à medida que reduzem os juros para sustentar o crescimento, arriscam desestabilizar suas moedas se cortarem demais.

"A valorização do dólar é outro golpe para os mercados emergentes", disse Mitul Kotecha, estrategista sênior de mercados emergentes da TD Securities, em Singapura. "A demanda pelo dólar superou qualquer impacto na moeda devido aos juros muito baixos do Fed. Os ativos de mercados emergentes continuarão desafiados, já que investidores se afastam de ativos relativamente arriscados e mantêm um viés a favor de portos seguros."



Emergentes cortam taxa às pressas

O banco central da Turquia acaba de se unir a outros emergentes com um corte de emergência dos juros. Coreia do Sul, Chile, Vietnã, Sri Lanka e Paquistão reduziram as taxas nesta semana após a ação do Fed no domingo. África do Sul e Indonésia também devem cortar os juros nos próximos dias.

Nova pesquisa do Banco de Compensações Internacionais mostra que, desde a crise financeira global, a apreciação inesperada do dólar reduz o crescimento do comércio mundial. Uma razão para isso pode ser o aperto das condições financeiras, já que o crédito para mercados emergentes diminui, de acordo com a pesquisa.

As saídas de recursos de mercados emergentes atingiram nível recorde, de US$ 30 bilhões em 45 dias em meio ao surto de vírus, segundo o Instituto de Finanças Internacionais.

Todas as principais moedas de mercados emergentes acompanhadas pela Bloomberg se desvalorizaram em relação ao dólar desde 20 de janeiro, quando informações sobre o surto de covid-19 na Ásia começaram a preocupar os mercados. O rublo russo e o peso mexicano acumulam queda de quase 20% no período.

Khoon Goh, chefe de pesquisa da Ásia do Australia & New Zealand Banking, em Singapura, diz que os mercados emergentes na região tentam implantar cortes dos juros e, ao mesmo tempo, administrar o impacto no câmbio.

"Continuarão a utilizar as reservas cambiais para aliviar a volatilidade das moedas, mas não tentarão conter a tendência ou defender níveis específicos", disse Goh.

"No ambiente atual, quando a demanda externa é muito fraca, permitir alguma fraqueza cambial e reduzir as taxas de juros é a melhor maneira de tentar afrouxar as condições financeiras gerais."

"Um dólar forte é tipicamente um obstáculo para moedas de mercados emergentes e, mais ainda, para países que dependem de financiamento em dólar offshore e têm regimes de taxas de câmbio flutuantes", afirmou Todd Schubert, chefe de pesquisa de renda fixa do Bank of Singapore.



Fonte: www.uol.com.br

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